O que os olhos não vêem...

Uso de enroladores de genoa tornou-se praticamente norma na vela de cruzeiro. Até em regatas algumas velas de proa começam a ser enroladas quando fora de uso. Essa tendência surgiu nas regatas em solitário, mas desde então os enroladores já embarcaram em veleiros comtripulação numerosa.É considerado um equipamento de uso simples e que não oferece risco. Neste texto vamos mostrar que há perigo, mas que ele se esconde para além do alcance de nossos olhos. 

 
Quase todo velejador que tem enrolador de genoa já teve dificuldade para enrolar ou desenrolar a vela. O tambor inferior ( panela ) parece que prende e o mecanismo, só a muito custo, gira o bastante para finalizar a operação. Muitas vezes, instaladores de equipamentos conhecem a causa do problema, mas oferecem aos clientes uma solução pouco eficiente, frequentemente perigosa e sempre lesiva à vela, a longo prazo. O que eles recomendam é usar um estropo ( prolongador ) entre o tope da vela e o destorcedor do enrolador. Alegam que, com o estropo, o destorcedor chega virtualmente até o final do tope de alumínio e a vela passa a enrolar corretamente. Vamos ver por quê isso é incorreto. 
 
A dificuldade é quase sempre criada pelo enrolamento da adriça no alto do estai de proa ou na ponta superior do foil de alumínio do enrolador. Esse problema só acontece em enroladores que usam destorcedor, nos quais a adriça é usada é a original do barco, interna ao mastro. Ao serem acionados, esses enroladores giram não só o foil de alumínio mas também o destorcedor superior em torno de seu eixo. 
 
Isso não deveria acontecer, mas o destorcedor tem um pouco de atrito interno e precisa que sua parte superior fique de algum modo "freiada" para que apenas a sua parte inferior gire junto com o foil de alumínio. Na maioria dos casos, a driça sai do mastro muito próxima ao pontop em que pega o estai de proa. Com isso ela não consegue, sózinha, evitar que o destorcedor gire. A adriça acaba arrastada pelo destorcedor e começa a dar voltas sobre o estai de vante ou sobre o foil. 
 
 
A figura 1 mostra esquematicamente a adriça muito agarrada ao estai de proa (A), o acavalamento da adriça em torno do estai (B) e em torno do foil (C). Na situação C, o enrolador para após umas poucas voltas e a vela não enrola nem desenrola. Na situação B, talvez mais perigosa, o enrolador pode funcionar mas, se a adriça ficar enrolada sobre o estai com o barco em marcha, ela pode estrangular o estai de popa e, no caso da adriça ser de aço, pode decepar o estai. 
 
O cruzeirista não pode permitir que nenhum dos dois episódios se passe em seu barco. 
 
Acrescentar um estropo (prolongador) entre o tope da genoa e o destorcedor pode até tornar a ponta sobrante de adriça tão curta que ela tenha realmente um pouco mais de dificuldade de acavalr sobre o estai. Isso nem sempre acontece e, pior ainda, pode-se passar do caso C para o B, com riscos maiores. 
 
O estropo também pode permitir que o destorcedor salte fora do doil de alumínio, nos casos em que este não vai totalmente ao tope do estai. O problema fica por vezes invisível até que se queira baixar a genoa. Aí a bruxa fica solta... 
 
Alguns enroladores têm um sistema de bloqueio da parte superior do destorcedor. Não é muito seguro, porque exige que a genoa chegue até quase o tope do foil e lhe dá pouca margem para regulagem de tensão de testa. Mas, pelo menos, funciona. 
 
A figura 2 mostra dois bloqueios para quem tem enroladores sem travamento da parte superior do destorcedor ( isto é, quase todos nós ! ). Um deles funciona como batente para a adriça, permitindo, no máximo, meia volta sobre o estai (A). No entanto, o sistema mais simples e seguro é o desvio de adriça (B). Este desvio "desce" a adriça paralela ao mastro por 20-25cm antes de permitir que ela se aproxime do estai. 
 
Com isso, o tope de uma genoa de enrolador corretamente cortada ficará como mostrado na figura. è claro que apenas a parte inferior do destorcedor poderá girar quando o enrolador for acionado. O velejador livra-se do enjambramento de adriça sem perder capacidade de tensionar a testa da vela. 
 
É bom lembrar que, além da questão da segurança, existe uma outra razão para se usar o desvio de adriça. A genoa que não pode ter a sua testa adequadamente caçada orça mal. Além disso, tem vida útil encurtada, pois se deforma mais rapidamente. O desvio de adriça é simples de instalar e evita esse problema. 
 
É também seguro pois se vier a se soltar do mastro, nem por isso a vela deixará de funcionar. Apenas o enrolamento ficará prejudicado.

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