PROLAM: Alternativa brasileira

A vitória do Vó Zizinha, inteiramente equipado com velas de Prolam, na dura e longa Regata Eldorado Brasilis ( Vitória-Trindade-Vitória ) ensejou este ensaio. Ele não se pretende completo e maiores informações podem ser buscadas com o autor ou junto às velerias brasileiras que usam regularmente o material. 

Há mais de 15 anos as fábricas de velas ensaiam materiais alternativos ao Dacron, tanto para cruzeiro como para regatas. As alternativas são especialmente importantes em países como o Brasil, onde o elevado preço dos produtos importados, comparado à mão-de-obra relativamente barata, fazdo tecido o vilão maior na composição final dos preços. Além do uso de sucedâneos de poliéster ( que incorretamente chamamos de Dacron nacional ), as velerias brasileiras ensaiaram outras possibilidades.


Na década de 80, a União Manufatora de Tecidos colocou no mercado um tecido de polipropileno ( ráfia biplastificada ) que, adequadamente usado, fazia velas velozes e até bastante duráveis. O campeonato brasileiro de IMS conquistado por Torben Grael com o seu MAgia, de 31 pés, equipado com um grande desse material, mostrou a potencialidade. Logo depois Lars repetiu a dose com o seu barco H3+.

Infelizmente acontecia que os layouts tri-radiais de tecido, fundamentais para o bom uso do polipropileno, eram pouco usados na época. Seu emprego incorreto e as versões excessivamente duras do material ( empregadas por outras empresas ) acabaram minando a sua credibilidade no Brasil. As lições foram muito positivas, tanto que as velerias logo buscaram alternativas. Em pouco tempo já utilizavam a Lonaleve, precursora do Prolam, na cor azul, que resultou em velas de grande durabilidade.

A Lonaleve, como o Prolam que depois a sucedeu, é uma ráfia de polietileno de alta densidade, plastificada em ambas as faces com um filme fino de polietileno. Como toda ráfia, ela é composta de fitilhos e não de fios. os fitilhos são estreitas fitas (1,5mm) de muito pouca espessura. O tecido apresenta baixo estiramento, boa estabilidade longitudinal e transversal e, se plastificado, impermeabilidade total. Também é mais resistente ao sol do que o Dacron do mesmo peso. É opaco e fácil de dobrar, não exigindo mais cuidados do que já temos com o Dacron.

Em meados de 1998, a Alpargatas lançou a Lonaleve branca. Embora o peso único (quatro onças) exigisse malabarismos das velerias, o fato é que a Lonaleve branca tinha, desde o início, interessantes predicados técnicos e ainda atendia ao gosto dos velejadores pela cor branca. Até o final de 2000, com o dólar ainda baixo, os maiores investimentos foram feitos pela Cognac Velas, que rebatizou o tecido de Prolam e o empregou na construção de diversas velas, algumas das quais negociadas para servir de plataforma de testes.

Nesta primeira fase foram feitas as velas do Keekee ( Velamar 36, campeão da RGS em 1999 ) e do Delícia (Farr 40, que faz charter entre Natal e Fernando de Noronha ). Também foram feitas velas de competição para barcos menores, como o Fast 230 Pimpi-Nit e vários Dingues, além de centenas para cruzeiro. A maior parte ainda é usada em sua finalidade inicial, com sucesso.

Após as sucessivas desvalorizações do real, as velas de Prolam tornaram-se especialmente atraentes e começaram a ser fabricadas em maior número por outras velerias. Mais recentemente surgiu o Prolam cinza (prata), com as mesmas características mecânicas do tecido branco, mas com um visual moderno. As velas do Vó Zizinha empregaram as duas cores.

A popularização dos layouts tri-radiais de tecido ( vide desenho ) e a experiência acumulada com o antigo prolipropileno da União criaram condições favoráveis. Foi possível ressaltar as boas características ao Prolam e manter sob controle as deformações causadas por esforços diagonais. Layouts tri-radiais, construção em camada dupla ou tripla, reforços radiais alongados e acabamentos em poliéster ( similares aos usados em velas de Kevlar ) são capazes de criar velas eficientes como as melhores de dacron. É possível, inclusive, que elas se equiparem às velas de Pentex, em muitos casos.

As velas construídas nos últimos quatro anos podem ainda não representar um dossiê completo, mas são um sólido indicativo de que uma ráfia de polietileno de alta densidade pode ser a resposta do mercado ao elevado preço dos tecidos, notadamente para velas de cruzeiro. Claro está que o velejador que opta pelo Prolam tem que se acostumar com um visual diferente e aprender uns poucos macetes de utilização. Além do bom desempenho e da boa forma iniciais, as velas de Prolam são difíceis de rasgar ( embora fáceis de consertar ). São macias e sua regulagem é similar a uma de Dacron importado triradial. Mofam muito pouco, resistem ao sol e demoram mais do que uma de Dacron para perder sua forma.

Com um terço do custo de uma vela de Dacron importado de primeira linha, a de Prolam apresenta uma relação custo-benefício imbatível.

Na veleria Cognac, que é com certeza,  uma das velerias de maior tradição no Brasil e na américa do sul, produzimos velas com cortes modernos proporcionando ótimo desempenho para veleiros monotipos e oceanos de cruzeiros e regatas.

Na veleira Cognac realizamos reparos e em todos os tipos de vela, capas e acessórios. As velas de dacron velhas e "barrigudas" são reparadas com o intuito de garantir uma sobrevida, com ajustes na testa, valuma, esteira, poídos, macarrão e slides.

Na veleria Cognac fazemos sob medida capas para enroladores de genoa, bimini, lazy-jack, capas para o barco, morcegos, sacos de vela, sacos de balão, saco tartaruga, toldos e muitos outros acessórios para seu veleiro.